É uma jovem de 23 anos de idade, amiga da nossa família, desde bem jovem sempre na escola com as nossas filhas, e há poucas semanas atrás foi constatado cancro, nos pulmões e nos gânglios.
Esta foi a minha causa maior, de correr no apoio à Nicole, onde fiz uma t-shirt com o lema da minha corrida.
ROPARUN 2012 – XAVIER run 4 Nicole.
Foi muito
emotivo fazer esta ROPARUN, por tudo o que a mesma envolve, o desafio desportivo,
e o desafio à resistência física.
Para mim foi um dejá vu, pois o ano passado tinha feito este desafio, só que este ano tive a felicidade de fazer as etapas que o ano passado não tinha feito. Fui incluído no Team A da minha equipa, e deu-me o previlégio de partir em Paris, e fazer um outro tipo de corrida diferente.
Para mim foi um dejá vu, pois o ano passado tinha feito este desafio, só que este ano tive a felicidade de fazer as etapas que o ano passado não tinha feito. Fui incluído no Team A da minha equipa, e deu-me o previlégio de partir em Paris, e fazer um outro tipo de corrida diferente.
Paris
(Dugny)FR (0km) – Rully FR (51km) total 51
km
Eram 23:02h,
estava a minha equipa a partir de Paris, em conjunto com mais outras duas. A
temperatura era excelente, o local muito amplo, com muita animação, num pórtico
imenso era a linha de partida. A festa ia começar para nós, e já há cerca de 9
horas antes já tinha começado para as outras 260 equipas. Só restavam depois
partir mais 13 equipas, que seriam mais rápidas no andamento.
Logo dentro
das localidades seguintes, comecei a sentir muito calor e estava mesmo
sufocante, ainda estavam mais de 20 graus, e esta era a primeira tónica do que
se iria passar durante esta corrida. Quando estávamos junto do aeroporto de
Charles de Gaulle, sentíamos não só o
calor como também o cheiro intenso de querosene (gasolina dos aviões). Era
horrível! Felizmente foi por poucos quilômetros, porque logo de seguida
entramos em campo aberto, num planalto que até dava para admirar a Torre Eiffel
iluminada, e estávamos bem longe de Paris.
O percurso
era campestre, algumas aldeias pelo meio, até que chegamos em bom ritmo a um
local onde não era permitido ter carro de apoio, por irmos entrar numa floresta protegida. Resta-nos dois companheiros de bicicleta, que são os
nossos guias e coloca-se mais uma bicicleta no esquema, e então eu e o meu
companheiro de duo, coube-nos a tarefa de ir alternando em cada quilômetro. Ora
um de bicicleta ora outro correndo, durante 16 km. Era uma floresta bem
fechada, com piso de asfalto de qualidade aceitável para correr. Nessa altura
notava-se que a temperatura tinha caído muito, talvez 6 a 7 graus só, mas para
quem corre tudo bem. Deu para admirar a noite num bosque imenso e olhando para
cima apreciar as constelações. Uma maravilha da natureza!
Faltavam
cerca de 8 quilômetros desse percurso, noto que o meu companheiro, quando
corria tinha muita dificuldade, e quando pegava na bicicleta sofria para nos
acompanhar. Combinei com ele, que eu faria os restantes 6 quilômetros todos
seguidos. E assim aconteceu, num passo bem bom entre os 12 e os 14 km/h fiz-me
à estrada. E chegamos a Rully, com 51 km, pelas 3 horas da manhã, com uma média
de 12,5 km/h, junto de uma igreja
centenária e passamos o testemunho aos outros colegas. O meu Team foi, tomar um
banho, massagem, e tentar dormir, um par de horas, enquanto o outro Team seguia
o trajeto.
2a etapa
Lagny FR
(109km) – Vermand FR (151 km) total 42
km
Eram cerca
das 7:00h da manhã já esperávamos os colegas do Team B, para nos passarem o
testemunho. Estávamos num local só de campos de trigo, fora da localidade de
Lagny. A temperatura era muito boa para correr, o fresquinho da manhã e o sol
radiante, nada poderia ser melhor. Escutavam-se os passarinhos no meio dos
campos de trigo verdejante, e olhando em volta um horizonte de sobre e desce,
dava-me a sensação que os próximos 42 km não iam ser fáceis. Quando recebemos o
testemunho ( hi5) do Team A, fiz o primeiro km e logo que o meu companheiro
começou a sua corrida, teve fortes dores no joelho, que já estava mal das horas
anteriores e ali teve de entrar no carro de apoio, e eu tive de seguir uns quilômetros
( 2 a 3) sozinho, até que se arranja-se alternativa a este imprevisto. E veio um suplente, que estava no outra
equipa para a nossa, para fazer o duo comigo. Depois deste acidente e desta
adaptação, tivemos que rever o ritmo que estávamos a fazer, pois teríamos um
companheiro com menos velocidade e menos habituado às longas distâncias.
O percurso
era bastante irregular, mas numa paisagem magnifica e a temperatura a aumentar
a fazer-nos tomar muito líquidos e a fazer muito desgaste. Pensávamos em ter um
ritmo mais lento, mas mesmo assim aumentámos, conseguimos aproveitar bem os
momentos de descidas e dar boa velocidade e lá chegamos a Vermand com 13,31
km/h . Excelente!! Mas eu estava a duvidar se não iriamos pagar caro, aquele
entusiasmo. Fomos para o nosso próximo ponto de partida, a cerca de 45 km, onde
um banho e uma massagem, num pavilhão desportivo, foi continuado o descanso
numa bela sombra, até adormecer só um pouquinho, para ser acordado, onde já ia
bem embalado. Vamos a isto rapazes!!! Próxima etapa.
3a etapa
Bertry FR
(193km) – Sebourg FR (236 km) total 43 km
Em Bertry a organização do Roparun com o Hospital de crianças com cancro
Sofia de Roterdão tem um ponto de apoio aos atletas e a toda a caravana. Têm
sopas, sandes de salsicha típica Holandesa, café, refrigerantes etc, muita
música, e muita descontração. É um bom apoio à caravana. Eu não fui lá comer
uma sopa ou uma salsicha, porque eu ia começar a minha etapa, e depois com o
esforço teria problemas. No ano passado como terminei lá a etapa, e soube-me
muito bem aquela sopa e as salsichas.
O percurso
foi muito bom, era bastante plano, de vez em quando umas elevações, mas nada de
exagerado, só que o calor era cada vez mais intenso, e tínhamos que lutar
contra ele. Mas como havia algum vento, dava para refrescar na corrida. Fomos
terminar esta etapa junto ao cemitério, onde tem uma parte que é para os mortos
na 2ª guerra. Esse mesmo local foi nossa base de descanso no ano passado, só
que este ano foi optado por outro de boa qualidade, já na Bélgica, para onde
fomos depois de passarmos o testemunho aos colegas do Team B. Quando lá
chegamos um belo banho, boas massagens, que os músculos já estavam desejosos,
dado que estávamos a entrar no período complicado desta corrida. Depois de uma
bela espargute com carne aquecida no micro-ondas, ainda houve tempo para uma dormida à pressa, porque
daqui a pouco já teríamos de estar prontos para uma longa etapa de quase 60
km!!
4a etapa
Silly B (290km
) – Derdemonde B (346km) total 56 km
Eram 21;40h
iniciamos a nossa mais longa etapa. Iriam ser longas retas ( algumas de vários
quilômetros!), tudo muito plano, com um elemento complicado, a segunda noite
era a nossa companheira. É neste momento que alguns companheiros têm mais
dificuldades. O cansaço começa a apoderar-se dos músculos, apesar dos
massagistas fazerem um trabalho fantástico, aquele para arranca e o reiniciar
de cada passar de testemunho é muito complicado. Mas como dizia eu para motivar
os colegas,... Só faltam 200 km’s !!! Tá quase!! Já estamos na Bélgica.....e
assim fomos de brincadeira em brincadeira de motivação em motivação, até
Derdemonde.
Passamos
por locais bastante interessantes, onde a população espera pela passagem dos
atletas e fazem uma grande festa local. Em Opstal a população fica toda na rua, enfeitam as suas
casas com bandeirinhas, com lamparinas de cera, com archotes, e sentam-se em
grupo junto das casas, com mesas abastadas de comida, e apoiam os atletas, com
muito entusiasmo. Tudo tem o ambiente de um coração. É lindo de ver.!
Chegámos a
Derdemond onde os colegas do Team B, lá estavam prontinhos para seguirem o
testemunho, e nós irmos procurar, às 3
horas da manhã, um bom banho, uma excelente massagem e comer alguma coisa, para
depois tentar dormir.
Mas aqui eu dormi mesmo, porque até ao local de partida da nossa próxima etapa, era relativamente rápido. Penso que consegui dormir duas horas. Uma fartura!!
Mas aqui eu dormi mesmo, porque até ao local de partida da nossa próxima etapa, era relativamente rápido. Penso que consegui dormir duas horas. Uma fartura!!
5a etapa
Hoevenen B
(404km) – Steenbergen NL (450km) total 46 km
Esta era
etapa que eu estava muito ansioso de fazer. Já me tinham falado pela excelente
recepção das cidades do sul da Holanda à passagem da caravana da ROPARUN, e havia em mim muita curiosidade. É uma
loucura tudo o que se faz para apoiar a passagem da caravana. É uma festa
dentro da festa da corrida. São milhares de pessoas, que dançam, cantam,
aplaudem, são grupos de música, são Dj’s, são as ruas todas decoradas.
Por volta
das 8:00h eram milhares em Ossendrecht. Uma festa com muito entusiasmo, e muito apoio. Imagino o que não foram
as horas anteriores com as outras centenas de equipas. Mais tarde foi Bergen op Zoom, onde a cidade estava toda enfeitada de balões e fitas amarelas. As
pessoas vestem todas T-shirts alusivas à passagem da caravana da Roparun e de
cor amarela também, assim como muitas casa têm bandeiras amarelas. Durante
vários quilômetros, antes de chegarmos à cidade, e depois também existem sempre
balões amarelos. O centro da cidade tem milhares de pessoas a fazerem a festa
do Roparun. Só visto mesmo, é de arrepiar este apoio.
E passaram
46km, aparentemente sem haver qualquer ponta de cansaço fisico, pois com todo
aquele entusiasmo, fomos sendo “embalados” naqueles quilômetros sem notarmos
nada . Estava muito calor, mas nada impedia de fazermos um bom ritmo e entre
cidades e campos agrícolas chegamos a Steenbergen, para que os colegas do team
B, seguirem para a penúltima etapa.
6a etapa
Klaaswaal NL
(482km) – Roterdão / Wilhelminaplein NL ( 514km) total 32 km
Esta etapa
é muito especial por várias coisas. A primeira é que juntámos os dois Teams .
Não existe mais apoio de carros. São 7 atletas de bicicleta e 1 que tem de
correr. Então há que preparar nas bicicletas, abastecimentos para os 32 km para
chegar tudo bem a Roterdão. Oud-Beijerland é uma festa logo na entrada da cidade, e no centro é uma loucura, com a
passagem junto da Câmara Municipal.
Uns
quilômetros mais à frente, ainda em Oud-Beijerland, existem pessoas que nos
ofereciam salsichas típicas Holandesas
(fricandel). Por duas vezes tivemos essa oferta e claro, somos receptivos a
essas generosidades espontâneas das pessoas.
Barendrecht, mais uma festa enorme, muitos milhares de pessoas, em grande alegria
aplaudiam os atletas e muita e muita música.
E chegamos
a Roterdão, com passagem primeiro pela Clínica Daniel Den Hoed. ( Esta clínica
é apoiada pela Fundação do Roaprun, para as famílias dos doentes oncológicos)
.O ambiente é arrepiante, com centenas de pessoas ao longo da estrada . A emoção sobe muito entre apoiantes e
participantes. Maravilhoso!!
Depois logo
de seguida conseguimos o CheckPoint
Final. O ritmo foi muito alto nestes últimos quilômetros, só entre 6
atletas. Um estava lesionado e outro estava estafado, então os seis fazíamos
alternâncias entre 600 a 700 metros, e aí o ritmo é muito alto.
Cerca de 40
horas depois de termos partido de Paris, estávamos com a terminar a corrida em
Roterdão. Fomos a 30ª equipa na classificação geral, entre 275 equipas.
Depois um percurso de caminhar sobre a ponte Erasmusbrug , até ao Coolsingel para a consagração final, e estão milhares de pessoas no público, e outros milhares das equipas a terminarem dá uma festa e um colorido fantástico.
Depois um percurso de caminhar sobre a ponte Erasmusbrug , até ao Coolsingel para a consagração final, e estão milhares de pessoas no público, e outros milhares das equipas a terminarem dá uma festa e um colorido fantástico.
Lá estavam
as minhas filhas Natacha e Bianca, o Tiago, a minha Amélia, a Francisca e muito
especial a Nicole, onde as emoções subiram muito alto, pois a minha missão de
apoio moral ao problema de saúde dela estava terminada. A shirt que levei com
foto dela foi-lhe ali entregue, com os colegas a aplaudirem. UM MOMENTO
INESQUÉCIVEL NA MINHA VIDA.
OBRIGADO A
TODOS QUE ME APOIARAM.
4 comentários:
Parabéns,
É espectacular o que fizeste.
Bonita prova, enorme causa.
Continuem assim.
Para além duma bonita e longa corrida por estafetas, onde é solicitado e exigido grande dose de resistência e amizade colectiva, há o aspecto solidário da causa oncológica, onde o José Xavier teve o suplemento de correr pela jovem Nicole, a quem desejo a maior sorte e fortuna na luta que vai travar contra esse mal que ninhguém está livre de ser atingido!
Um Abraço de sorte para todos!
Orlando Duarte
Grande Xavier, essa sim é uma daquelas que qualquer um que tenha o mesmo espírito deseja participar. Depois deverá ser um prazer e emoção enorme quando se está prestes a acabar uma prova de tamanha exigência como essa e se sabe que a família e amigos estão ali à nossa espera. Envio uma saudação de esperança para a Nicole e que consiga vencer essa luta que vai ter pela frente, para o meu amigo <xaviar envio um abraço na esperança que as mazelas de tão longa competição já tenham sido vencidas e o libertem para futuros compromissos. Abraço.
Parabéns pela excelente prova, é sempre bom ver que acompnhamos o desporto e causas em todo o Mundo. A nossa empresa acompanha o Roparun todos os anos uma vez que quase todos os anos somos os fornecedores das T-Shirts de algumas equipas, neste caso a T-Shirt que vemos na foto 2 com a passagem de testemunho foi feita em Portugal, e ganhou o prémio da melhor T-Shirt. Mais um motivo de orgulho.
M.Cumprimentos
Vitor Sousa
Sm-textil.com
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